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Grupo de estudos heideggeriano

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Sobre o curso
Grupo de estudos heideggeriano

O conceito de amadurecimento em Winnicott nos remete à seguinte questão: qual o lugar em que o homem pode viver sendo ele mesmo, ou seja, propriamente, autenticamente? Como o homem se relaciona consigo mesmo e com sua condição? 

A possibilidade de pensar esta questão se abre, para nós, a partir da compreensão que os pensadores  Mestre  Eckhart  (1260-1327), Soren Kierkegaard  e  Martin  Heidegger  (1888-1976) nos apresentam acerca do que é o ser humano em sua existência. Tanto para Eckhart, quanto para Heidegger, a experiência de ser si mesmo, de ser próprio, consiste justamente em não ter próprio, ao que ambos os autores nomeiam Gelassenheit (Serenidade), o que pode ser compreendido como uma certa forma de pobreza, de abandono. Pobreza aqui não é só uma das determinações da existência humana – uma classe menos favorecida, pobre é toda condição humana, que por sua finitude, precisa a cada vez e sempre de novo fazer-se e refazer-se no tempo e como tempo. Para Eckhart e Heidegger, esta pobreza é o que mais radicalmente ecoa em nós em nossa tarefa de sermos propriamente o que somos: incompletos, imperfeitos, contingentes. 

Para Heidegger, a possibilidade dessa experiência mais radical de nós mesmos se anuncia na angústia, o que seria um outro nome para Serenidade.  A angústia é justamente a experiência dessa pobreza constitutiva da nossa existência, pois, em nosso existir, nada somos por nós mesmos (prontos e acabados) e, por não termos a nós mesmos, precisamos sempre nos buscar, nos refazer desde nós mesmos – com as possibilidades que são as nossas. Tanto para Kierkegaard quanto para Heidegger, a angústia estaria exatamente nesta nossa incessante busca de significados, quando somos projetados nas possibilidades da vida. A angústia nos é, portanto, constitutiva. Nesse sentido, a forma mais própria de sermos nós mesmos é nos apropriarmos da nossa existência em tudo o que constitui esta existência, inclusive a angústia, inclusive as perdas, a incompletude, e imperfeição. 

A tarefa que se impõe para nós é a de tentar evidenciar em que medida este referencial teórico pode nos ajudar a elaborar a questão do Amadurecimento em Winnicott. Poderíamos mesmo dizer, que o amadurecimento, compreendido como a experiência radical do si mesmo, estaria próximo de uma apropriação do homem de tudo que lhe é seu, o que inclui a angústia. Ou seja, amadurecer é saber sem saber – ou seja, saber não teoricamente, mas na própria experiência vivida – que não se pode fugir da angústia, que a angústia nos tem, nos contem.



 

Modalidade: Online (com acesso à gravação do encontro).

Encontros: mensais às sextas-feiras, das 10h00 às 11h30.

Duração: Março à Novembro

Horário: 10h00 às 11h30

Plataforma: Google Meet 

Carga horária total: 7,5 horas

Haverá certificado de participação 

 

  • Cada encontro será norteado pela leitura prévia de um texto de referência, visando a troca de interpretações, conhecimentos e experiências
  • Pensamos que o formato de monitoria como um grupo de estudos e discussão ativo é eficaz para a compreensão de fenômenos e questões que permeiam a prática clínica e as questões teóricas que a sustentam
  • A troca e o pensar em conjunto torna possível repensar, compreender, desconstruir e construir saberes e visões de mundo
  • Estimular formas ativas de pensar e dialogar;
  •  Exercitar um raciocínio clínico que compreenda o existir que se apresenta à(ao) psicóloga(o) nos diferentes modos de atuação profissional;
  • Revisitar conceitos teóricos adquiridos ao longo da formação em Psicologia;
  • Ampliar o repertório teórico a partir de textos selecionados, que também são leituras de apoio aos cursos regulares.

Disponível para assinantes

Disponível para compra

R$ 380,00



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Aulas

Para quem é o curso

O curso é para estudantes e profissionais da saúde e educação que desejam ampliar suas perspectivas de estudo sobre antropologia filosófica, psicologia e psicanálise.

Docente

Adriana Andrade de Souza

Possui graduação em filosofia pela Universidade Federal de São João Del-Rei. Possui mestrado e doutorado em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora, atuando principalmente nos seguintes temas: filosofia, mística, história e religião.